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Aeroporto Afonso Pena terá nova pista que vai permitir voos diretos para EUA e Europa

Aeroporto Afonso Pena terá nova pista que vai permitir voos diretos para EUA e Europa


O prazo de implantação será de 60 meses após o início do contrato de concessão

O Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, terá uma pista completamente nova nos próximos anos. Ela será paralela à atual, com pelo menos 3 mil metros de extensão, e permitirá pousos e decolagens sem conexões para os Estados Unidos e países da Europa com aeronaves de grande porte (categoria 4E).A Secretaria Nacional de Aviação Civil decidiu incluir a obra no novo edital de concessão do aeroporto nesta segunda-feira (4), depois de articulação do Governo do Estado e dos setores industrial e empresarial do Paraná. A publicação original não exigia a pista.

O prazo de implantação será de 60 meses (5 anos) após o início do contrato de exploração do terminal, cuja licitação está prevista para ocorrer no fim de 2020. Com a nova pista, as aeronaves poderão operar no Afonso Pena em qualquer turno, diurno ou noturno, com a ajuda de sistema de pouso por instrumentos. Elas também poderão decolar com carga máxima de combustível, mesmo a 900 metros de altitude.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior destacou que a nova pista vai potencializar os voos em um dos aeroportos mais modernos do Brasil e será fundamental para o aumento gradual do turismo e do comércio exterior no Estado. A concessão do Afonso Pena é parte de um planejamento logístico mais robusto, composto, ainda, pelo novo Anel de Integração, extensão das ferrovias e concessões portuárias.

“É uma conquista para o Paraná. A nova pista permitirá conexões diretas com centros consumidores de produtos paranaenses e trampolim rápido dos empresários para o mercado asiático, grande importador da nossa cadeia de carnes e grãos”, afirmou Ratinho Junior. “A nova pista é parte fundamental da estratégia de transformar o Estado em um hub logístico de toda a América do Sul”.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, disse que a conquista atende demanda há muito tempo represada no setor e é fruto de uma nova parceria entre os governos do Estado e federal. “A nova pista coloca a nossa Capital no mesmo patamar das grandes capitais mundiais. Era um desejo do setor produtivo e do setor de turismo. O governador esteve duas vezes na Secretaria Nacional de Aviação Civil solicitando a inclusão dessa pista na concessão”, explicou. “Teremos uma retomada de crescimento em breve, depois da pandemia e essa pista consolidará esse movimento”.

Carlos Valter Martins Pedro, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), ressaltou que a audiência pública do começo de março, parte do processo de concessão, ajudou a esclarecer a necessidade da nova pista. “A sociedade paranaense se mobilizou e mostrou a importância que essa obra terá para o transporte de cargas e passageiros, melhorando a infraestrutura logística e aumentando a nossa competitividade”, frisou.

NOVO PATAMAR

A principal pista do Aeroporto Internacional Afonso Pena tem 2,2 mil metros de comprimento. Ela não é considerada apta a grandes decolagens ou ao transporte pesado de cargas pela relação entre a altitude de São José dos Pinhais em relação ao nível do mar e a sua extensão. A secundária tem 1,7 mil metros, foi reinaugurada em 2019 e permite deslocamento mais rápido nos trajetos rumo ao Sudeste do País.

Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), passaram pelo aeroporto 6.502.746 passageiros em 2019, 3% a mais do que no ano anterior, quando foram contabilizados 6.310.413 embarques e desembarques. Esse número corresponde a 7,5% da movimentação de todos os aeroportos administrados pelo governo federal no ano passado (85.740.792 embarques e desembarques).

Dos 6,5 milhões de passageiros, apenas 76.281 tiveram origem ou destino estrangeiros, o que representa apenas 1,17%. Foram apenas 276 pousos e decolagens com trâmites alfandegários ao longo de doze meses em 2019, contra 425.671 passageiros e 2.969 voos internacionais no Aeroporto de Recife, por exemplo.

LEILÃO

O Bloco Sul da nova rodada de concessões de aeroportos administrados pelo governo federal tem valor de contrato estimado em R$ 8,9 bilhões e lance mínimo de R$ 516 milhões. O conjunto engloba quatro aeroportos paranaenses (Afonso Pena, em São José dos Pinhais; Foz do Iguaçu; Londrina; e Bacacheri, em Curitiba), dois catarinenses (Navegantes e Joinville) e três gaúchos (Pelotas, Uruguaiana e Bagé).

Pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o leilão deve ocorrer no 4º trimestre. A duração do contrato de concessão será de 30 anos. Em 2020 serão leiloados 22 aeroportos em três blocos regionais definidos conforme a localização geográfica: Norte, Central e Sul.

Segundo as regras do edital, um mesmo proponente pode arrematar os três blocos e não haverá participação da Infraero. A concessionária deverá ter em sua composição um operador aeroportuário com, no mínimo, 15% de participação societária e experiência de 1 um ano no processamento de pelo menos 1 milhão de passageiros para os blocos central e norte, e 5 milhões de passageiros para o bloco sul.

FOZ DO IGUAÇU

O Aeroporto Internacional das Cataratas, em Foz do Iguaçu, que pertence ao mesmo bloco de leilão, executa as obras de ampliação da sua pista principal. O custo total é de R$ 53,9 milhões, com previsão de conclusão em 2021. A modernização foi incluída no pacote de investimentos da Itaipu Binacional e da Infraero mesmo antes da concessão, em agosto do ano passado, a pedido do Governo do Estado.

A pista do aeroporto tem 2.195 metros de comprimento e é considerada curta para decolagem de voos de longa distância. A nova pista terá 2,8 mil metros, 605 metros a mais que a atual. Além disso, será aplicada uma camada de revestimento de Stone Matrix Asphalt (SMA), que dá ganho de performance de 20% às aeronaves, o que permite autonomia de voos para locais como Miami, Nova York, Lisboa e Madri.

Da AEN

Foto do Aeroporto Internacional Afonso Pena – Curitiba – PR
Foto: Geraldo Bubniak/AEN